Feminismo – Men at Work

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Todas as vezes que leio por aí que o mundo é horrível e as mulheres são frágeis, que todo homem é um estuprador em potencial, que somos vítimas da sociedade, penso que não sou essa mulher e nem convivo no meu círculo mais íntimo com caras com essa índole.

Talvez eu tenha sorte ou apenas recebi educação para ser diferente. Meus pais me ensinaram a ser como o texto do Coutinho (leiam, está imperdível) aponta. Sim, o mundo é hostil, mas aprendi a ser Independente e Corajosa. Por isso, não aceito esses rótulos que muitas vezes são usados e que colocam a mulher num eterno papel vulnerável.
Entendo que muitas mulheres se vejam dessa forma. Não é meu caso.

Felizmente posso dizer que não sou vítima do machismo. Não aceito ser tratada com mercadoria inferior em nenhuma situação. Não deixo que homens tomem a palavra quando ela está comigo. Não aceito ser tratada com inferioridade no mercado de trabalho.

Faço um parênteses aqui para dizer que fui muito mais injustiçada por mulheres na minha vida profissional do que por homens. Passei quatro anos ganhando 30% a menos do que uma colega que fazia menos do que eu e a minha chefe mulher deu a justificativa mais estúpida do mundo quando quis entender por que. Basicamente foi porque ela assim decidiu.

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Tenho educação, conhecimento, as ferramentas necessárias para combater o machismo do mundo (sim, ele existe, e muitas vezes o mundo é um lugar mais difícil para as mulheres, não apenas por causa dos homens), mas não aceito esse papel passivo, o da vítima que precisa se proteger o tempo todo desse mundo “hostil e predatório”.

Entendo e me solidarizo com as que se sentem assim. Deve ser muito difícil acordar todos os dias e saber que o mundo lá fora só quer fazer da sua vida um inferno e você não sabe como se defender.

Por aqui, estou dando conta do recado. De exigir salários iguais (ou melhores), de apenas me relacionar com “homens adultos, dignos e refinados”, não sem antes ter topado com muito cara-bosta pelo mundo. Ainda bem tive forças e maturidade pra mandá-los para Cochinchina.

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Tenho medo de ser estuprada? Claro. Mas tanto medo quanto tenho de ser morta num assalto. O mundo é um lugar hostil, mas não apenas para as mulheres.

ps. e antes que alguém venha dizer “ai, homem querendo dizer como o feminismo deve ser”, essa coisa de censurar homem de falar de feminismo, branco de falar de racismo só diminui a empatia dos envolvidos. E legitima uma coisa chamada censura. Só serve para isso.

Texto | Mariliz Pereira Jorge

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